Projecto BIIG no Crato (3 e 4 de Janeiro 2012)

A nossa ida ao Crato surgiu após vários contactos efectuados pelo Gabinete de Apoio à Acção Familiar da Escola do Crato. O Crato não estava pois na nossa rota inicial mas perante tanto interesse e disponibilidade demonstrados por parte da Túlia, psicóloga na Câmara e técnica do GAAF, e perante a intenção de após as nossas sessões lançar aos/às jovens o desafio de fazerem um trabalho sobre “violência em casa e no namoro”, era nos impossível recusar.

Lá fomos e não nos arrependemos. 8 sessões com jovens (da escola profissional e do agrupamento de escolas), uma sessão de trabalho com a associação de estudantes da Escola Profissional Agostinho Roseta, outra com técnico/as do GAAF e uma reunião com um Vereador da Câmara foi a agenda destes dois dias bem preenchidos.

Gostei muito dos/as jovens da Escola Profissional, interessados/as , participativos/as , com um claro potencial, e alguns/mas também com vivências e opiniões bem marcadas . Conseguimos criar com alguns/mas a empatia necessária para que, no final das sessões, algumas jovens (digo algumas, porque foram só raparigas) viessem falar connosco sobre as suas relações de namoro, algumas delas violenta. Uma jovem contou-me que apesar de ter conseguido sair de uma relação violenta (com violência psicológica, física e sexual), vários meses depois- e agora com um novo companheiro numa relação saudável – continua a assustar-se quando o seu novo namorado tem um gesto um pouco mais bruto, ou pouco à vontade em alguns momentos mais íntimos. Outra, saiu também de uma relação violenta, não contou a ninguém, nem aos seus pais, nem ao seu novo namorado, a ninguém, era a primeira vez que falava disso e envergonhava-se de ter passado por isso. Não tem que sentir vergonha, nenhuma, tem é que ter orgulho nela, orgulho em ter conseguido sair dessa relação. Deu me a sensação que nunca tinha pensado nisso dessa forma, espero que passe a fazê-lo.


Bom foi também (re)lembrar o quão decisivo pode ser o papel de uma psicóloga ou o de uma educadora nos espaços escolares. Se atenta/o às necessidades dos/as jovens e se procurar potenciar as suas capacidades e desenvolver as suas competências, podem fazer toda a diferença, nomeadamente em idades fulcrais para os/as jovens e seus futuros percursos . Problema: muitos/as desses jovens psicólogos/as, técnicos/as, educadores/as que tão importantes são nas escolas têm muitas vezes situações laborais precárias que não garantem de todo a continuidade dos projectos iniciados e que quebram laços dificilmente tecidos mas, passados uns tempos. Uma curiosidade: a maior parte dos/as que conheci, quer em Mértola quer no Crato, não são originários/as daquelas localidades, alguns/mas até são de bem distante, mas todos/as me pareceram bastante empenhados/as e é bom comprovar aquilo que muitos/as colocam demasiadas vezes em causa.


Nesta ida ao Crato só fomos duas pessoas, o que, se para as sessões não foi problemático, já para a dinamização simultânea da Biblioteca Itinerante foi uma dificuldade. São claramente necessárias 3 pessoas se queremos em paralelo às actividades ou às sessões de trabalho com jovens, a dinamização da biblioteca. Senti falta também, como já tinha sentido nas nossas outras deslocações, de mais panfletos informativos, de mais informação sistematizada ( e brindes ) que pudesse dar a todos/as os/as que passassem pela biblioteca. Mesmo assim, ainda demos muitos e a carrinha está bem apetrechada mas perante tanto público e tanta falta de informação , teriam sido necessários ainda mais recursos, mas não os temos e temos que lidar com isso , procurando arranjar soluções alternativas ou colmatar essa dificuldade. Uma das estratégias é de enviar/deixar materiais com professores/as, bibliotecários/as, técnicos/as e associações de estudantes.

Procuro sempre também enviar um e mail posterior com indicação de materiais que existem online, sites de organizações etc.


  

 

.::Destaque::.

destaque2
cartaz_01.jpg

Newsletter

Free business joomla templates