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Dados 2008

A UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta vem divulgar os dados referentes ao Observatório de Mulheres Assassinadas de 2008 e a comparação com os anos anteriores, desde 2004.

Durante o ano de 2008, morreram 46 mulheres, vítimas de violência de género.

61% destes homicídios ocorreram em relações de intimidade, tendo sido essas mulheres assassinadas às mãos de maridos, companheiros e namorados, Em 28% dos casos essa relação estava quebrada, tendo sido estas mulheres mortas por ex-maridos, ex-companheiros e ex-namorados. O fim da relação não impediu que os agressores tivessem continuado a perseguir a vítima até à morte. Para alguns homens, «se não és minha, não és de ninguém» é levado literalmente.

HOMICÍDIOS 2008
RELAÇÃO DO AGRESSOR COM A VÍTIMA

Para além das 46 mulheres assassinadas, foram igualmente vítimas de homicídio 5 pessoas (vítimas associadas), incluindo filhos, pais, outros familiares e conhecidos das vítimas e 1, que ficou ferida.

A dureza destes números ultrapassa os de 2004, ano em que foram registados pelo OMA (Observatório de Mulheres Assassinadas) 40 homicídios. Existe, portanto, uma regressão preocupante neste campo.

Consciente de que, infelizmente, estes números pecam por defeito, uma vez mais a UMAR vem afirmar como a violência doméstica é letal, não apenas para as mulheres, mas também para as suas crianças, família alargada, conhecidos, vizinhos, no fundo, para a sociedade em geral.

São números brutais que nos obrigam não só a prestar atenção redobrada ao problema social da violência doméstica contra as mulheres como também nos obrigam a repensar o papel de cidadãos e cidadãs interventores e interventoras, esclarecidos e esclarecidas, formadores e formadoras, denunciadores e denunciadoras deste flagelo que grassa na nossa sociedade. Todos e todas, repetimos, todos e todas temos a obrigação de desconstruir estereótipos enquistados e de actuar, investindo, antes de mais, na prevenção destas situações, alicerçando, por conseguinte, a formação de crianças e jovens nos valores da igualdade e do respeito.

Relativamente à idade das vítimas, registamos que, no que se refere aos homicídios, o maior número, 43%, se concentra nas idades entre os 24 e os 35 anos, seguida da idade entre os 36 e os 50 anos, com idade superior a 50 anos e com idade entre os 18 e os 23 anos.

Este factor é preocupante, porque, se tivermos em conta os dados dos anos anteriores, registamos que as vítimas são cada vez mais jovens, o mesmo se passando com os agressores.

Previa-se que as gerações mais jovens invertessem esta curva no sentido descendente, todavia os números aí estão a provar o contrário. Mulheres na maturidade dos seus percursos, brutalmente arrancadas à vida por alguém que levou as ameaças até ao fim, sem que nada nem ninguém o impedisse.

 

 

No que respeita a tentativas de homicídio, 36 mulheres foram vítimas desta forma de violência por parte dos seus maridos, companheiros, namorados, ex-maridos, ex-companheiros, ex-namorados, 4 por familiares directos, interligando-se a estas mais 37 por agressões / violência continuada e 21 pessoas como vítimas associadas.

Nas tentativas de homicídio / agressões / violência continuada, mantêm-se as faixas etárias dos 36 aos 50 anos e superior a 50, quer no que respeita às vítimas quer aos agressores. São relatados casos de mulheres vítimas de maus tratos há décadas.

A partir dos dados que obtivemos, podemos afirmar a não identificação de um perfil de agressor, já que os agressores se distribuem por diversas faixas etárias, diferentes classes sociais, distintas habilitações, são urbanos e rurais, de diferentes culturas e etnias.

No que se refere aos distritos onde ocorreram os homicídios, observa-se o seguinte:

Homicídios e Tentativas, Distritos /2008

 

Homicídios

Tentativas

Aveiro

2

4

Beja

0

1

Braga

2

1

Bragança

0

0

Castelo Branco

1

1

Coimbra

3

3

Èvora

1

0

Faro

1

3

Guarda

1

0

Leiria

1

6

Lisboa

9

7

Portalegre

2

0

Porto

7

8

Santarém

2

2

Setúbal

4

2

Vila Real

0

0

Viana

0

0

Viseu

4

0

Madeira

0

0

Açores

6

2

 

46

40

 

Foram Lisboa (9), Porto (7), Açores (6), Setúbal (4) Viseu (4) e Coimbra (3) os distritos onde ocorreram mais homicídios. Equacionando relativamente ao número da população de cada distrito, verificamos que os do Porto e Açores apresentam uma realidade deveras preocupante.

No que se refere à distribuição pelos meses do ano, e tendo em conta os homicídios de Janeiro de 2004 a 31 de Dezembro de 2008, podemos observar que, em 2008, o mês mais fatídico foi Julho, com 11 mortes, 10 vítimas directas e 1 vítima associada, seguido de perto por Abril, com 7, e Maio com 5; em 2007 foram Maio e Setembro, com 4 mortes; no ano de 2006, foram Maio e Setembro com 7 mortes, seguido de perto por Agosto com 5 mulheres assassinadas; em 2005, foram Abril e Julho que registaram o maior número de homicídios: 5 mortes; e em 2004 foi Agosto que registou 8 homicídios.

HOMICÍDIOS 2004 a 2008/ MÊS

 

 

Mortes
2004

Mortes
2005

Mortes
2006

Mortes
2007

Mortes
2008

Totais/mês
2004-2008

Janeiro

3

2

4

0

1

10

Fevereiro

4

3

1

2

2

12

Março

2

1

0

2

2

7

Abril

4

5

3

2

7

21

Maio

3

3

7

3

5

21

Junho

4

1

1

1

3

10

Julho

1

5

1

5

9

21

Agosto

8

4

5

0

3

20

Setembro

4

4

7

4

4

23

Outubro

4

3

3

1

3

14

Novembro

0

3

2

1

4

10

Dezembro

3

1

2

1

2

9

Totais/mês

40

35

36

22

45

178

 

Segundo indicam os dados, os meses de Setembro, Maio, Abril, Agosto e Julho, são sangrentos para as mulheres em consequência deste tipo de violência.

Considerando que ele ainda peca por defeito, mais aterrador é o número total de mulheres assassinadas em Portugal entre Janeiro de 2004 e 31 de Dezembro de 2008: 177!