Afinal era mentira...

ABORTO- As mulheres podem ser julgadas

 

O Julgamento que decorre na Maia, onde 17 mulheres são acusadas de prática de aborto, veio mostrar que o Referendo de há três anos não resolveu a situação em Portugal. Bem pelo contrário, só a veio mascarar e dar campo para que a hipocrisia continue a reinar, ignorando os direitos das mulheres portuguesas.
Uma lei que criminaliza o aborto e penaliza as mulheres, mais tarde ou mais cedo, levaria a esta situação - sentar as mulheres no banco dos réus, expondo a sua intimidade e afrontando a sua dignidade.
O poder político prefere não ver esta realidade, prefere empurrar as mulheres para a clandestinidade, expondo a sua dignidade e prejudicando a sua saúde.
Afinal, era tudo mentira, os discursos inflamados dos defensores do Não à despenalização, que afirmavam não existir a possibilidade das mulheres serem julgadas.
Hipócritas são também aqueles que disseram tudo ir apostar no Planeamento Familiar e na Saúde Sexual e Reprodutiva e afinal muito pouco se vê nestes aspectos.
A verdade é esta – a situação mantém-se e as mulheres mais pobres são as mais atingidas, pois por falta de dinheiro e por falta de informação continuam a recorrer a parteiras. Há, mesmo hoje, uma nova realidade, que é o recurso à auto-medicação, o que leva, em muitos casos, sobretudo a quem não tem acompanhamento médico, a graves problemas de saúde. Existe hoje uma rede de venda e de administração de um conhecido comprimido, e já se faz negócio com ele.
Só há uma maneira de resolver esta situação – despenalizar o aborto a pedido da mulher até às 12 semanas, promovendo o Planeamento Familiar e a Saúde Sexual e Reprodutiva. Uma nova lei não obriga ninguém a abortar nem significa liberalizar ou simplificar o aborto. Bem pelo contrário a liberalização é aquilo a que se assiste hoje, com centenas de clínicas e de parteiras, que toda a gente sabe onde é.
Não podemos ficar indiferentes sobre o que estão a passar estas mulheres.
É a sua dignidade que está a ser acusada, o seu direito a decidirem sobre si. É também a nossa dignidade que está em causa.
A UMAR apela à participação nas iniciativas previstas para dia 18 de Janeiro:
Porto- 9.30 h – Concentração frente ao Complexo desportivo da Maia, onde decorre o Julgamento
Lisboa - 12.00 h – Concentração frente ao Tribunal da Boa Hora (R. Nova do Almada).

Seja qual for a sentença, as coisas não podem ficar na mesma. Haverá um antes e um depois da Sentença da Maia. Apelamos a todas as mulheres que se solidarizem e que façamos deste dia, um dia marcante na luta pela despenalização do aborto, em Portugal, em nome dos direitos, da saúde e da dignidade de todas as mulheres.