Mulheres em Tribunal

Até quando esta vergonha?

 

Em Setúbal, no dia 30, vai realizar-se mais uma sessão de um julgamento por aborto que se prolonga há largos meses.
A UMAR vem manifestar o seu repúdio por mais esta machadada nos direitos das mulheres. De cada vez que uma mulher se senta em tribunal, e se sujeita à humilhação desta exposição, somos todas que estamos ali a ser julgadas.
É a dignidade de todas nós, o direito a decidir dos nossos destinos, da nossa maternidade que estão ali a ser negados. Estamos igualmente solidárias com as/os profissionais de saúde que têm ajudado as mulheres e que, desta forma, têm arriscado a sua vida. Sem os/as profissionais de saúde, as mulheres ficam ainda mais abandonadas, em termos da sua saúde reprodutiva. Por isso, achamos que separar o julgamento entre as mulheres que abortaram e quem teve interferência profissional neste processo é estar a demonizar os e as profissionais de saúde a quem as mulheres recorrem, tantas vezes em situação de desespero.
Num momento em que a direita mais retrógrada investe num ataque à educação sexual nas escolas e numa campanha difamatória e mentirosa contra a APF e contra quem faz prevenção e planeamento neste país, que a UMAR repudia completamente, este julgamento vem mostrar que a sociedade portuguesa não é ainda uma sociedade onde os direitos humanos estejam adquiridos.
Em Abril deste ano, vimos mais uma vez que, em matéria de aborto, as instituições democráticas parecem não funcionar. O Parlamento aprovou, mas o Presidente da República decidiu que outras questões eram mais importantes do que as vidas e a saúde das mulheres e das suas famílias.
Agora que a questão do Tratado Europeu já foi inviabilizado, Dr. Jorge Sampaio, consegue dormir descansado?
Este estado de coisas é infame e inaceitável. É um drama para muitas mulheres e suas famílias e mostra que Portugal continua no atraso civilizacional que o caracterizou durante décadas.
Por tudo isto, a UMAR vem exigir a legalização do aborto, a pedido da mulher até às 12 semanas. Seja por referendo seja através do Parlamento, o que importa é que a dignidade e a saúde das mulheres sejam garantidas.