Homenagem a Liseta Moreira – pelo Aborto Legal e Seguro

Júlio Machado Vaz

É tempo de o Povo português, aceitando embora a respeitável opinião de muitas pessoas, derrotar definitivamente a hipocrisia de outras, apenas atarefadas na busca de todos os mecanismos que permitam manter o status quo. (Ou alguma uma sua caricatura!, no registo da caridadezinha que sossega a consciência de uns e humilha a das mulheres em geral e das enxovalhadas nestes processos em particular.) [Ler mais] »»

Alexandre Quintanilha

Muitas mulheres são forçadas a questionar-se (por razões diversas) sobre se deveriam interromper a sua gravidez ou não.
Se, como alguns afirmam, a interrupção da gravidez equivale a um assassinato claramente premeditado, porque não exigir a pena máxima (vinte e cinco anos de prisão) para estas situações? Seria absurdo e ninguém apoiaria tal posição. Quem tem algum conhecimento da Biologia sabe que a “identidade” de um ser humano não se estabelece no momento da concepção, nem é provavelmente um conceito que tenha qualquer significado. [Ler mais] »»

Oito anos perdidos
Eduardo Maia Costa

Há oito anos o povo português foi chamado a pronunciar-se em referendo sobre a despenalização do aborto por opção da mulher nas primeiras 12 semanas de gravidez. Como se sabe, a maioria votou contra a proposta, mas o referendo não foi vinculativo, por terem comparecido menos de metade dos eleitores. A Assembleia da República podia ter continuado o processo legislativo e aprovado na especialidade a lei, para o que dispunha de maioria parlamentar. A desistência de levar por diante o processo legislativo constituiu um acto de inadmissível cedência às forças retrógradas que continuam a opor-se a qualquer evolução legislativa nesta matéria, como cedência tinha já sido a convocação do referendo, combinada à pressa entre os dirigentes máximos do PS e do PSD já depois de aprovada a despenalização na generalidade. [Ler mais] »»

Pelo aborto legal e seguro
Cecília Eira

Será justo que as mulheres portuguesas que passam pelo drama de um aborto, sejam ainda humilhadas por julgamentos e possam sofrer ainda mais dentro das grades de uma prisão? Ou que morram por abortarem sem as condições de assistência necessárias? Não será sofrimento a mais?
E será igualmente justo que sejam as mulheres de mais baixa condição social as que passam por tudo isto?
Não será esta mais uma situação de descriminação social e descriminação sobre as mulheres?
Isto quando tanto se ouve na boca dos governantes palavras sobre inclusão e igualdade?
Será que as mulheres abortam porque querem? [Ler mais] »»

Alexandra Oliveira

Nesta evocação da morte de uma mulher por razões inadmissíveis num país que se diz desenvolvido e, simultaneamente, de chamada de atenção para a passagem de oito anos desde o referendo ao aborto, ou seja, de oito anos em que a lei se manteve inalterada permitindo que as mulheres fossem tratadas como criminosas e não respeitando as suas decisões, venho salientar alguns aspectos deste processo. [Ler mais] »»

Gabriela Moita

Impossibilitada de estar presente nesta acção, venho por este meio solidarizar-me com a UMAR na homenagem a Lisete Moreira e ao apelo à mudança da lei sobre o aborto, repudiando todas as posições de imposição de uma moral.
A única ética digna de uma sociedade evoluída é a ética do respeito: respeito pelas diferentes ideologias, respeito pelos diferentes estilos de vida, respeito pelas diferenças em geral. Compete ao Estado, através das suas instâncias reguladoras garantir este princípio. Só uma alteração da lei em causa permitirá que cada pessoa possa fazer a sua escolha (usando ou não esse direito) sendo fiel aos seus valores.
Somos todas e todos nós responsáveis pela morte da Lisete Moreira, bem como de todas as mulheres em igual condição, ao permitir a manutenção de uma lei centrada na hipocrisia e na imposição de um valor.

Lígia Amâncio

Quantas mais mulheres terão que morrer, estúpida e injustamente, como Lisete Moreira, para que o país tome consciência da forma como trata as suas mulheres, cidadãs, mães, companheiras e irmãs?
Um abraço
Lígia Amâncio