Declaração de apoio à Campanha Internacional "Stop Patologização Trans"
Mais do que o projecto liberal de igualdade entre mulheres e homens, o movimento feminista deve questionar e subverter as próprias definições de mulher e homem, criticando e denunciando o binarismo de género e a exclusão de afectos, corpos e sexualidades que este promove. Porque a patologização das identidades e o binarismo de género são dispositivos de controlo e formatação do que é ser-se mulher-homem-pessoa, a reivindicação dos feminismos deve ser a da abolição deste controlo, sem esquecer que, socialmente, tais categorias binárias existem e há que operar, também, com elas.

Porque a campanha internacional STOP PATOLOGIZAÇÃO TRANS questiona e abala tais dispositivos de controlo e o próprio sistema de género, uma associação feminista, e uma associação feminista como a UMAR, só pode subscrever e apoiar as suas reivindicações.

Não se trata de minimizar a importância que as equipas de saúde têm para pessoas em processos de transição nem esquecer a necessidade de um Sistema Nacional de Saúde que responda célere e eficazmente às pessoas transgénero. Trata-se, antes, do questionamento do poder definitório dessas equipas e o reconhecimento de que o acompanhamento deve ser voluntário e não obrigatório.

Lisboa, 14 de Outubro de 09